Como a CONMEBOL pretende valorizar os direitos de transmissão da Libertadores

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A COMEBOL dobrou as cotas de premiação para o campeão e vice da Libertadores em 2018. Mas, no geral, a competição segue pagando pouco — principalmente se comparada à Copa Continental do Brasil, que dará início ao seu quadriênio milionário na próxima temporada.

Como aumentar os prêmios? Aumentando as receitas de transmissão, que é de onde vem o grosso do dinheiro. E como aumentar esses ganhos com broadcasting? Há dois caminhos. O primeiro é um possível retorno dos clubes mexicanos (leia-se: do interesse local das TVs mexicanas) à disputa — movimentação que já está acontecendo e sobre a qual falaremos em breve. E o segundo já está em curso: alterar o pacote de comercialização.

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Em setembro deste ano, a CONMEBOL, via licitação, concedeu a venda dos direitos de transmissão dos seus torneios interclubes (Libertadores, Sul-Americana e Recopa) ao consórcio IMG & Perform, por um mínimo de US$ 1,4 bilhão. Essa verba foi determinante para que a entidade dobrasse as cotas de campeão e vice da “Liberta” — e também para que aumentasse as da “Sula”.

A IMG & Perform trabalha pelo próximo leilão, que acontecerá em 2019, e, a exemplo do que fez a Bundesliga, deve adotar um fatiamento do pacote de transmissões, aumentando o número de participantes e, consequentemente, de ofertas:

— PACOTE 1 | TV aberta exclusiva, com todo o torneio, mas apenas um jogo por semana, em esquema de rodízio (ou seja, sem determinar a partida);

— PACOTE 2 | TV fechada 1, com prioridade na escolha dos jogos, semifinal a determinar e final ao vivo;

— PACOTE 3 | TV fechada 2, que escolherá seus jogos entre os não selecionados da TV Fechada 1, transmitirá a outra semifinal e terá final em VT;

— PACOTE 4 | para qualquer veículo (incluindo plataformas de streaming e redes sociais), com um jogo de quinta-feira por semana na fase de grupos, um confronto das oitavas de final e um das quartas de final.

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O ponto de atenção desse leilão será a TV aberta para o mercado brasileiro. Ou seja, as Organizações Globo. Com o rodízio de jogos por rodada (PACOTE 1), a emissora perderia a prerrogativa de regionalizar as transmissões das partias dos clubes brasileiros, que sub-licencia junto ao Grupo FOX, cable e detentor do pacote integral. Mais: a CONMEBOL pretende adiantar os jogos desses dias das 21h45 para as 21h30; ou seja, um bloco de novela e break comercial a menos para a Globo. Nesse cenário — estamos especulando —, a Libertadores perderia viabilidade na Globo, que poderia oferecer menos ou, simplesmente, continuar sub-licenciando, em menor escala, os jogos junto à FOX.

É uma encruzilhada “daquelas”, porque ter a Rede Globo, o canal do maior conglomerado de jornalismo e entretenimento da América do Sul, nas transmissões abertas da Libertadores para Brasil, o maior mercado de TV do continente, seria ganhar na loteria para a CONMEBOL. Ao mesmo tempo, o novo modelo de TV fechada principal (PACOTE 2) reduziria muito o peso da competição na grande brasileira da FOX. E, claro, outsiders tendem a aparecer — o Grupo Turner, por exemplo.

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Haverá uma resposta para isso — um projeto à parte para o Brasil ou a abertura de um “PACOTE 5”, por exemplo — na próxima concorrência pelos direitos da Libertadores? Com a palavra, a IMG & Perform. E na expectativa os futuros participantes da Libertadores 2019, de braços e bolsos abertos para receberem mais dinheiro.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Com informações de: Blog do Ohata/UOL e Blog do Rodrigo Mattos/UOL. Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol Marketing

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