AS Velasca: o clube mais artístico do mundo

Futebol-arte? Não: futebol com(o) arte. Essa é a proposta do AS Velasca — um pequeno clube amador de Milão que, do campeonato provinciano de Terza Categoria (nona e última divisão do calcio, regulada pela Lega Nazionale Dilettanti-LND, órgão-satélite da Federazione Italiana di Giuoco Calcio-FIGC, a “CBF da Itália”), sonha em contrastar seus “primos maiores” Milan e Internazionale.

Definido pela FIFA num documentário (esse, logo acima) como “o clube mais artístico do mundo”, o AS Velasca foi fundado em 2015, por um coletivo de apaixonados por arte e futebol. Em seu nome e logo, a primeira manifestação artística: a Torre Velasca, erguida em 1958 como contraponto urbano do medieval Castello Sforzesco, de quem é vizinha — “estranha demais para estar no centro histórico de Milão, mas fascinante e dificilmente imitável, um soco no olho, bonita de dar nojo”, segundo o site do clube.

Antes de chegar à Terza Categoria da LND-FIGC, o AS Velasca começou sua vida nos ainda mais amadores campeonatos do Centro Sportivo Italiano-CSI. Já àquela altura, mostrou a cidade — e ao mundo — sua marca: o futebol como suporte para criações e intervenções artísticas.

Da placa de substituições às bandeirinhas de escanteio, das braçadeiras de capitão às fotos oficiais do time para cada temporada, das redes de gol aos cartazes virtuais de cada jogo, tudo na AS Velasca é criado por (ou ganha o olhar de) artistas — com direito a exposições nacionais e internacionais.

E, claro, esse conceito chegaria à principal expressão do futebol da AS Velasca: a sua camisa, que, em vez de patrocinadores, conta com artistas másteres.

A cada temporada, um artista é convidado a criar as camisas da AS Velasca clube. Produzidas em tiragem limitada essas peças se tornam, imediatamente, itens de colecionadores — e, como as reproduções são poucas, o valor de cada manto se multiplica.

Nas últimas três temporadas, as camisas do AS Velasca foram criadas pelo franceses Régis Sénèque (2015-16) e ZEVS (2016-17), e pelo chinês Jiang Li (2017-18 — momento em que o clube passou a trabalhar com a le coq sportif, parceira ideal para promover o futebol como arte).

Na atual temporada 2018-19, as camisas do AS Velasca foram criadas pelo camaronês Pascae Marthine Tayou. É uma estética perturbadora: no manto titular, um buraco negro, e na reserva, um aparelho digestivo que traz o logo do clube no estômago — aparentes representações da tensão que envolve um jogo de futebol.

Ao AS Versace, agora, resta apenas se aperfeiçoar na arte dos resultados em campo — a mais apreciada do futebol — e escalar a pirâmide de divisões do calcio. Quanto mais elevados os campeonatos, maiores serão os propósitos. Esperamos, em breve, ver uma mostra, exposição — ou coisa que o valha — sobre as futuras partidas do clubes contra Milan ou Internazionale no San Siro-Meazza.

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Thiago Zanetin tem 33 anos e é redator publicitário. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite italiana.

Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol Marketing

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