Com uma crítica, Tite mudou a campanha da Mastercard com Neymar e Messi

“Mastercard, eu vou falar uma coisa para vocês. É muito bonita essa doação em relação a entidades assistenciais. Ela [a ação] é linda e muito grande. Assim como grande é também vocês darem [a possibilidade de doar refeições] a todos os atletas da Argentina e do Brasil [que marcarem gols]. A gente trabalha enquanto equipe. E talvez todos esses valores e esses gols que eles possam fazer, que é um fruto de equipe, possam se transformar nessa doação. Fica aqui a minha sugestão.”

Não foi preciso falar mais do que uma vez. Assim que a crítica de Tite à ação da Mastercard — patrocinadora da Seleção — com Neymar Jr. e Messi para a iniciativa #JuntosSomos10 (#TogetherWeAre10) na América Latina reverberou mundo afora, a empresa mudou tudo: em vez de doar 10 mil refeições a cada gol marcado pelos craques até 2020, serão doadas, até o final deste ano, mais 1 milhão de refeições ao Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas.

É o que a própria Mastercard explicou com um comunicado, que você lê abaixo:

“Nós na Mastercard ouvimos os comentários sobre a nossa campanha na América Latina com os embaixadores da marca, Messi e Neymar Jr., em apoio ao Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP). Não queremos que torcedores, jogadores ou qualquer pessoa perca o foco na questão crítica da fome e em nossos esforços para aumentar o apoio a essa causa. Com isso, estamos ajustando a campanha ao substituir a doação de 10 mil refeições por gol feito por Messi ou Neymar Jr. por uma doação de 1 milhão de refeições em 2018, além das 400 mil refeições que já havíamos doado desde o início desta campanha. Queremos reforçar que nosso compromisso global de 100 milhões de refeições vai além desta iniciativa e a Mastercard continuará sendo um dos muitos agentes engajados em reverter o ciclo da pobreza mundialmente. Agradecemos aos embaixadores da nossa marca que continuarão a desempenhar um papel fundamental para nos ajudar a aumentar a conscientização sobre esta causa”.

Moral da história: Tite, hoje, é tão unanimidade, tão “o cara”, que pode minar — ainda que sem intenção — uma campanha ou iniciativa de um patrocinador envolvendo a Seleção ou um de seus atletas, independentemente da amplitude, apenas com um comentário ou crítica. E, nisso, pode disseminar percepções negativas juntos ao público torcedor. A Mastercard, então, resolveu “concordar” com ele.

“Mas a adaptação foi boa?” Bem, considerando apenas o futebol de clubes, se Messi e Neymar mantivessem, até 2020, o desempenho de 2017-18 (45 gols pelo Barça e 29 pelo PSG, respectivamente), teríamos mais do que 1 milhão de refeições doadas no total; todavia, quem precisa tem pressa, e garantir que 1 milhão de refeições cheguem até o final desse ano a jovens carentes da América Latina é algo grandioso.

Então, sim, dá para dizer que Tite melhorou o #JuntosSomos10 da Mastercard. Golaço.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite da Itália.

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Imagens: Divulgação.

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