ConIFA World Cup: a Copa do (resto do) Mundo

Em vez das doze cidades-sede da Rússia, dez distritos entre a Grande Londres (Sutton, Bromley, Enfield, Haringey, Carshalton, Rotherhithe e Bedfont), Berkshire (Bracknell e Slough) e Essex (Aveley). No lugar das arenas modernas, estádios modestos, aptos para receber entre 1.000 e 5.000 torcedores. E, na falta da Alemanha, quem defende o título é a República de Abkhazia (litoral noroeste da Georgia). Que torneio é esse? Uma Copa do Mundo.

Bem-vindos ao mundial de seleções da Confederation of Independent Football Associations: a ConIFA World Cup. Uma “Copa do Resto do Mundo”, aberta a seleções regionais e de países em busca de autonomia, times de minorias étnicas e povos independentes, e a qualquer estado-nação que não se enquadre na FIFA.

Realizada bienalmente desde 2014 — quando o selecionado de Nice (aquela cidade francesa onde joga Balotelli) levantou a taça —, a ConIFA World Cup é herdeira da extinta VIVA World Cup. As campeãs? Sápmi (localizada entre Noruega, Rússia, Suécia e Finlândia, em 2006); Padania (nação do Rio Pó italiano, tri consecutiva em 2008-09-10); e Curdistão (2012).

Em 2018, a ConIFA World Cup conta com organização da federação de Bawara (cidade costeira da Somália) e será disputada entre entre 31 de maio e 7 de junho, pelas seguintes seleções:

— pela Ásia, Tamil Eelam (dissidência da etnia Tamil, do Sri Lanka), Tibet, Panjab (representante britânico das diásporas hindu e paquistanesa da etnia punjabi) e FC Korea (clube-seleção de imigrantes coreanos no Japão);

— pela Europa, Kárpátalja (minoria húngara atrelada ao Carpato ucraniano), Armênia do Oeste, Padania (Itália), Chipre do Norte, Ellan Vannin (Ilha de Man), Székely (etnia húngara em solo romeno) e República de Abkhazia;

— pela África, Matabeleland (oeste do Zimbabwe), Kabylie (norte da Argélia) e Barawa;

— pela Oceania, Tuvalu (estado polinésio de ilhas e atóis);

— e pela América do Norte, Cascadia (EUA).

E se até aqui você teve a impressão de que esse vai ser “um torneiozinho alternativo improvisado”, talvez devesse repensar. Neste ano, a ConIFA World Cup terá como patrocinador principal o site de apostas Paddy Power — parceiro de grandes clubes mundiais, como o Arsenal — e contará até com uma agência de promoção esportiva em Londres. Uma boa estrutura de marketing, complementada por um “programa passaporte-torcedor”, criado para facilitar as viagens dos torcedores de todo o mundo rumo à Inglaterra.

A Copa do Mundo é sempre (e também) exaltada como um encontro de culturas. Nesse ponto, a ConIFA World Cup, em que as seleções jogam para afirmar e reafirmar as identidades de seus povos e regiões, nada deve à “irmã maior”. E, no fim das contas, futebol é futebol — seja em Moscou, sob os olhos do mundo, seja em Bromley.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagens: Divulgação.

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