#Copa2018 | Donovan: ídolo dos EUA, torcedor do México?

18 segundos. Foi só do que o ídolo máximo do soccer, Landon Donovan, precisou para — involuntariamente? — criar uma grande polêmica nos EUA, tendo como pano de fundo a Copa do Mundo FIFA 2018 (da qual o seu país está participando apenas nas arquibancadas).

Donovan estrelou uma campanha do banco Wells Fargo, patrocinador oficial do México, pedindo que, na ausência dos EUA, os americanos torçam junto com ele pelo sucesso da “La Tri” no Mundial (My other team is Mexico, ou “Meu outro time é o México”).

A campanha do Wells Fargo com Donovan foi ao ar um dia após a candidatura #United2026, formada por EUA, México e Canadá, ter ganhado a concessão para organizar a Copa 2026. O efeito, pelo menos na terra do Tio Sam, porém, foi de “desunited”. Por quê? Problemas de percepção — mais uma referência àquela célebre quarta lei d’“As 22 Consagradas Leis de Marketing” teorizadas por Al Ries e Jack Trout —, que, para nós, traduzem-se em dois fatos.

O primeiro fato é esportivo: EUA e México são arquirrivais no futebol — e os mexicanos não ficaram nada tristes com os yankees fora da Copa; a percepção, aqui, foi de que Donovan “virou a casaca”.

E o segundo fato é de espectro político. Porque a campanha de Donovan com a Wells Fargo coincidiu com as manchetes e fotos mundiais geradas por uma diretriz anti-imigração ilegal (já revogada) do governo americano, que separou famílias, muitas delas mexicanas, nas zonas de controle do EUA. E aqui, criou-se uma dupla percepção: governistas interpretaram o gesto de Donovan como uma afronta; opositores, como um protesto.

Exageros? Não necessariamente. Quando lidamos com percepções, não há certo e errado. Há, sim, margem para interpretações — dadas tanto pelo teor da comunicação quanto pelo contexto que a envolve. Quem deseja entender a torcida de Donovan pelo México como um ato simpático ou apenas parte de uma campanha, vai ver. E quem deseja atrelar outros significados ao ato, também poderá fazê-lo. É como escreveu o novelista italiano Luigi Pirandello: “assim é, se lhe parece”.

Daí o dever de quem faz a comunicação, e de quem a protagoniza, de monitorar o ambiente e mensurar os riscos que toda iniciativa como essa envolve.

Essa não foi a primeira vez em que Donovan assumiu seu lado “mexicano”: há alguns anos, ele tentou atravessar ilegalmente a fronteira dos EUA para o México numa propaganda da loteria esportiva Gana Gol.

Outros tempos, outro cenário, outras percepções.

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Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol Marketing

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