CR7, Juventus, Chievo, Hellas Verona e o buraco de percepção na arquibancada

Ontem (18), Cristiano Ronaldo fez sua tão esperada estreia oficial pela Juventus. A partida, válida pela primeira rodada da Serie A TIM, ocorreu em Verona, contra o ChievoVerona. E além de CR7 em bianconero, o mundo viu um inesperado buraco nas arquibancadas do estádio Marc’Antonio Bentegodi. Mais especificamente no setor da Curva Sud, em meio à torcida juventina: 2.700 lugares vazios.

Ora, por que a torcida da Juventus, que é a mais numerosa da Itália, não conseguiu lotar a Curva Sud do Bentegodi? Resposta: porque os torcedores do Hellas Verona — o clube (muito) mais popular da cidade, atualmente na Serie BKT — não permitiram.

A Curva Sud do Bentegodi é, tradicionalmente, o coração da torcida do Hellas. Lá, está uma placa comemorativa pela conquista do scudetto de 1984-85 — o único vencido por um clube que não vêm de uma província-capital. E como gialloblù e juventini não são exatamente “bons amigos”, a torcida local pediu que o município de Verona, o dono do estádio, impedisse que o ChievoVerona, mandante do jogo — e menos quisto ao povo do Hellas do que a própria Juventus (uma história complexa, que explicaremos em outra oportunidade) —, de vender ingressos para hóspedes nesse setor.

As alegações junto ao município: a Curva Sud do Bentegodi é um “bem inviolável”, onde se formaram gerações e gerações de apaixonados pelo Hellas Verona, e não poderia ser ocupada nem explorada comercialmente — o ChievoVerona reajustou o preço dos ingressos em até 50% — por torcedores de ocasião (sendo a ocasião, claro, a estreia de Cristiano Ronaldo); além disso, vistas as más relações entre gialloblù e juventini, temia-se que o setor fosse depredado.

E o município atendeu à torcida do Hellas Verona.

Deixando de lado a politicagem do município (pois a torcida do Hellas Verona, por ser muito numerosa, é vista também como uma massa eleitoral importante), o que temos aqui é um choque, não só de rivalidades, mas de percepções: de um lado, o “futebusiness”, que, na Itália, ancora-se em Cristiano Ronaldo — e, consequentemente, na Juventus — como vetor de receita, exposição, oportunidades de negócios, entretenimento etc.; e, de outro, o dito “futebol raiz”, orgulhosamente provinciano, onde o marketing, por assim dizer, é a visão de mundo “antimoderna” da torcida.

Não seria a primeira vez que a torcida da Juventus — ou a de qualquer outro clube de massa — ocuparia a Curva Sud do Bentegodi em jogos contra o ChievoVerona. O “fator CR7”, porém, falou ao contrário à gente do Hellas Verona (em parte, talvez porque da Serie BKT será impossível aproveitá-lo). Num cenário como esse, em que cada lado tem suas razões — e Chievo, financeiras (o clube poderia ter arrecadado € 91.503,00 a mais, já que o ticket médio da partida foi, em números redondos); a Juventus, de abrangência territorial; e o Hellas Verona, de sentimento e rivalidade(s) —, a questão nunca terá uma razão definitiva.

Nós, porém, já estamos curiosos para saber se esse impedimento à Curva Sud será mantido nas demais partidas com mando do ChievoVerona ao longo da Serie A TIM.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite italiana.

Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol Marketing

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