EDITORIAL | Descanse em paz, CONMEBOL

A avalanche de críticas que se seguiu ao anúncio de que River Plate e Boca Juniors decidirão a (ex-)#SuperFinalDeAmérica da CONMEBOL Libertadores Bridgestone 2018 em Madrid, na Espanha, disfarça uma evidência, quase uma certeza: estamos “correndo o risco” de ver o nosso maior torneio continental ser mais bem tratado do que nunca — assim como aconteceu quando a Copa América foi realizada nos Estados Unidos.

Sem embargo, o que se verá no gramado merengue do Santiago Bernabéu será a incompetência da CONMEBOL — como também da Asociación Argentina de Futebol-AFA, e dos governos de Buenos Aires e do país hermano como um todo.

Tudo que não funcionou na Argentina tende a dar certo em Madrid:

— vai ter jogo (quem for ao estádio não vai esperar seis horas debaixo de sol até que a partida seja suspensa);
— vai ter torcida visitante (porque, convenhamos, o que resolveu termos só o público do River no jogo do Monumental?);
— vai ter ingresso para o público (nada de cargas para barra bravas);
— vai ter a estrutura de Madrid, habituada a realizar jogos-eventos desse porte (seja pela UEFA Champions League, seja pela LaLiga Santander);
— e vai ter uma excelente projeção mundial, tanto pelo público (Madrid é uma das capitais mundiais que mais recebem voos da América do Sul) quanto por tudo o que dissemos acima.

Lamentamos pelos torcedores do River Plate (os pacíficos) que perderam o sonho da vida e, sem condições de viajar para Madrid, passarão da arquibancada para a TV. Lamentamos que o princípio de igualdade, que deve balizar qualquer partida (sobretudo uma final), seja quebrado — pois, apesar de tudo, o Boca Juniors já fez o primeiro jogo da final em seu estádio, sem torcida visitante. Lamentamos que se perca a cultura local da final de barrio. Lamentamos até que, por um erro de conceito grosseiro, a competição que homenageia em seu nome a libertação do nosso continente seja decidida na capital do país que colonizou a maior parte da América Latina.

Lamentamos tudo isso. Mas não culpamos Madrid; a cidade apenas aproveita uma oportunidade. Culpamos, acima de todos, a CONMEBOL, que transformou a #SuperFinalDeAmérica, a decisão de seus (e, em certa medida, também dos nossos) sonhos — aquela que deveria ser o marco de uma “Nueva CONMEBOL”, moderna — num circo mambembe, numa Super Vergüenza.

Esperamos que, a partir do espetáculo que veremos em Madrid, a Libertadores seja reposicionada. Já deu desse folclore de “futebol raiz”, que se afunda em má estrutura e fomenta climas de guerra como o que vimos nos entornos de Monumental de Nuñez (e temos visto a tanto, tanto tempo, em vários outros pontos da América).

Que se faça esse River Plate x Boca Juniors. E que, depois, venha a final única, em Santiago e outras praças compatíveis com a grandeza que o torneio possui, e que a CONMEBOL nunca soube explorar.

Descanse em paz, CONMEBOL. Ou sem paz. Apenas descanse. Dê o fora, por favor. Antes você do que a Libertadores e o futebol da América do Sul.

l

Imagens: Divulgação.

l

Siga o Futebol Marketing nas redes sociais: facebook | twitter

Category: Futebol Marketing

Tags:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial