EDITORIAL | Um dia para NÃO esquecer

Era para ser a #SuperFinalDeAmérica: a última em jogos de ida e volta, com o maior clássico do continente em “horário tipo exportação” — para europeus, e gringos em geral, verem e admirarem a cultura do futebol sul-americano em torno da CONMEBOL Libertadores Bridgestone.

Mas está sendo — porque ainda não acabou (não pôde acabar) — uma Super Vergüenza.

Hoje, o mundo comenta a infâmia do que não foi o River Plate x Boca Juniors decisivo de ontem, no Monumental de Nuñez.

Tudo deve ser criticado:

— o plano de (in)segurança que “favoreceu” o ataque dos hinchas do River Plate ao ônibus do Boca Juniors, deixando jogadores feridos no lado xeneize;
— a impostura da CONMEBOL, que, mesmo sem clima, quis realizar o jogo na marra, sendo impedida apenas pelos “altos cleros” de River Plate e Boca Juniors, e, nisso, demorou cerca de quatro horas para anunciar o adiamento da partida ao dia seguinte, desrespeitando milhares de torcedores que já lotavam o Monumental e milhões que assistiam pela TV, além de inúmeros profissionais de imprensa, vindos de todo o mundo;
— a pouca solidariedade entre os jogadores (repetimos: entre os jogadores) de River e Boca, que, antes de seus clubes e da CONMEBOL, poderiam e deveriam ter decidido juntos por não jogar;
— as declarações (ainda que, compreensivelmente, a sangue quente) de alguns jogadores do elenco xeneize, que apelaram ao clubismo (“Dêem logo a taça para o River”), elevando a já altíssima temperatura do que será o jogo decisivo;
— e, antes dessas coisas todas, o clima de guerra e violência, de (literalmente) La Final del Mundo criado para o jogo pela imprensa argentina e alimentado continente e mundo afora, que “transformou” em diferencial justamente o lado da cultura boleira sul-americana que buscamos modificar.

Até o fechamento deste texto, não havia certezas sobre o que seria do River Plate x Boca Juniors decisivo: a partida foi programada para as 18h (horário de Brasília), mas a imprensa argentina nos fazia saber que o Moumental de Nuñez estava interditado pelo governo de Buenos Aires.

A CONMEBOL Libertadores Bridgestone 2018 vai acabar porque tem que acabar. Em dezembro começa o Mundial de Clubes FIFA e a única vaga ainda não definida — claro — é a da América do Sul. “Bola que segue” — dirão muitos articulistas pelo continente. —“Foi um dia para esquecer.”

Muito pelo contrário. Foi um dia para não esquecer. Porque, à fúria de esquecermos, as coisas se repetem. Daqui para frente, sempre que a CONMEBOL realizar uma final, qualquer final, deve pesar “¿Qué pasó em aquel River x Boca?” e fazer, rigorosamente, tudo ao contrário.

Demos (porque somos todos sul-americanos) vexame aos olhos do mundo. O mundo não vai esquecer. Nós também não podemos.

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Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol Marketing

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