Galo, a Sul-Americana não faz falta agora?

Há pouco mais de uma semana, o Atlético Mineiro, com nove reservas em campo, caiu na primeira fase da CONMEBOL Sul-Americana. Eliminação minimizada no ato pelo presidente alvinegro, Sérgio Sette Câmara: “A Sul-Americana é a Segunda Divisão da Libertadores (…) além de pagar pouco, tem pouco valor (…).”

Mas, paga pouco comparado a quê? À própria Libertadores — que, de todo modo, o clube só poderá disputar, se conseguir vaga, no ano que vem; e, principalmente, à Copa Continental do Brasil, hoje a competição mais rica da América Latina. Competição da qual o galo saiu ontem (16), nas oitavas de final.

Um prejuízo tremendo. Que revela uma falta de visão, também tremenda, de quem pensa o futebol — e os negócios (e as finanças) — do Atlético.

Aos números. Da primeira fase às oitavas da Copa Continetal do Brasil, o galo embolsou R$ 7,8 milhões. Já na Sul-Americana, o clube faturou “apenas” US$ 250 mil (R$ 917,5 mil, sendo US$ 1,00 = R$ 3,67) dos US$ 3,125 milhões (pouco mais do que R$ 11,46 milhões) que receberia em caso de título. Título que abriria novos ganhos em 2019:

— as decisões da Recopa Sul-Americana e Suruga Bank e, talvez, da Euroamericana, contra o campeão da UEFA Europa League, que, juntas, variaram entre US$ 1 milhão (R$ 3,67 milhões) e US$ 1,45 milhão (pouco mais do que R$ 5,32 milhões) em prêmios;

— uma vaga na fase de grupos da Libertadores, que valeu US$ 1,8 milhão (R$ 6,606 milhões) em 2018, e promete um bom aumento a partir do novo modelo de broadcasting da CONMEBOL;

— e, veja só, um lugar garantido nas oitavas da Copa Continental do Brasil, com prêmio de R$ 2,4 milhões.

E mais do que isso: um torneio internacional, seja qual for, é um vetor de oportunidades. Uma boa campanha na Sul-Americana, se bem trabalhada também no extracampo, poderia levantar bilheterias (o ticket médio do Atlético Mineiro na Copa Continental do Brasil foi de R$ 14,00, com ocupação média de 66%), oportunizar lançamentos de produtos e novos negócios, ou, no “mínimo”, entregar exposição internacional para os atuais parceiros.

É alucinante que um clube como o Atlético Mineiro — que fechou 2017 no vermelho (R$ -25,1 milhões), com receitas em queda (-2%) e o sexto maior custo de futebol do Brasil — não tenha enxergado isso. Mentalidade de segunda.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite da Itália.

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Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol MarketingMercado

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