Goiás na Série A: explicando a mudança nos direitos de TV

Três anos depois, o Goiás está de volta à Série A do Brasileirão Assaí. E esse acesso é uma boa oportunidade para falarmos sobre as mudanças na distribuição dos direitos de TV da elite. Vamos nessa?

Como todos os ex-membros do antigo “Clube dos 13”, o Goiás foi, até 2018, um dos 18 clubes brasileiros com status de “cotista” — ou seja, que negociava individualmente seus direitos de TV, aberta e fechada (o pay-per-view é um pagamento à parte), junto à Rede Globo.

Em 2015, o Goiás caiu da Série A recebendo R$ 23 milhões. Naquele mesmo ano, assinou com a Rede Globo um novo acordo para o triênio 2016-18, que aumentou sua cota para R$ 35 milhões. Cifra que foi ativada na Série B de 2016, com uma ressalva: segundo um dispositivo contratual (aplicável até 2018), se o clube permanecesse — como permaneceu — na Segundona por mais do que uma temporada, esse valor decresceria 25% a cada ano (ou seja: 2017 valeria 75% de 2016, 2018 valeria 75% de 2017, etc.)

Por algum motivo (ou renegociação?) que desconhecemos, esse decréscimo de 25% foi aplicado ao Goiás apenas no terceiro ano de Série B — justamente 2018. Dessa forma, as cotas do clube durante esse ciclo na Segundona foram:

— R$ 35 milhões em 2016;
— R$ 35 milhões em 2017;
— R$ 26,25 milhões em 2018 (75% sobre o valor de 2017).

Na Série A de 2019, tudo muda. Saem cotas e “cotistas”, e entra um novo modelo, nos moldes da Premier League, em que a Rede Globo repartirá R$ 1,1 bilhão em receitas de TV aberta e fechada (o pay-per-view segue como pagamento à parte) da seguinte forma:

— R$ 440 milhões (40%) em cotas iguais para cada clube;
— R$ 330 milhões (30%) de acordo com o número de partidas exibidas de cada clube;
— R$ 330 milhões (30%) segundo a posição final na tabela, menos para os rebaixados.

Desse modo, o Goiás — assim como o Fortaleza, que subiu campeão, e todos os demais clubes da Série A 2019 — tem garantido um mínimo de R$ 22 milhões, dependendo de sua campanha e exposição para ganhar mais. Pode superar a cota de R$ 35 milhões com que iniciou o antigo contrato 2016-18? Pode — se cravar uma boa temporada de retorno (como, por exemplo, em 2013, quando o esmeraldino fez sua reestreia na elite com um brilhante sexto lugar), que, por sua vez, tenderá a aumentar o interesse midiático pelo clube.

“E se o Goiás cair?” Bem, como já vimos, o clube perderia direito a um dos pagamentos de TV da Série A 2019 (relativa à posição final a tabela). “E na Série B 2010?” Houve, em 2018, um acordo proposto pela Rede Globo — e aceito pelo esmeraldino —, de renovação coletiva até 2022. Grosso modo, ou o clube voltaria a ser “cotista” (pela base de 2018 — R$ 26,25 milhões), ou entraria na divisão normal da Segundona — em torno de R$ 8 milhões por participante.

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Thiago Zanetin tem 33 anos e é redator publicitário. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite italiana.

Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol MarketingMercado

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