Juventus NÃO vai pagar a contratação de CR7 vendendo camisas

Está entre as notícias do momento: em apenas três dias, a Juventus teria vendido, em números redondos, 520 mil camisas com o nome e o número 7 de Cristiano Ronaldo. E como o modelo — assinado pela adidas — sai, em sua versão mais barata, por € 104,00, o clube já teria arrecadado € 54,08 milhões, e, com isso, garantido o pagamento de pouco mais de 50% do valor investido na contratação do português.

Na matemática, a conta está correta. Na realidade, não. Porque essa cifra nem chega perto de estar nos cofres da Juventus.

Explicando. Juventus e adidas não possuem um contrato de fornecimento, mas de licenciamento para alguns produtos. Nele, a marca paga € 23,5 milhões anuais pelo direito de produzir e vender as coleções de jogo, treino e viagem do clube — além de outros produtos ocasionais.

Isso significa que o clube não royalties sobre cada peça vendida, mas, sim, uma porcentagem de, especula-se, 10% a 15%, sobre o excedente das vendas a partir de uma determinado meta em valor bruto. Para entendermos aqui, cabe uma simulação:

— imaginemos que a meta de valor bruto em vendas para a camisa de jogo é de € 23,5 milhões (o mesmo valor pago anualmente ao clube pela adidas);

— se o faturamento bruto com vendas de camisas de CR7 foi de € 54,08 milhões, o excedente sobre a meta seria de € 30,58 milhões;

— então, a Juve embolsará de 10% a 15% sobre esse excedente de € 30,58 milhões, ou seja, entre € 3,058 milhões e € 4,587 milhões.

Convenhamos, valores bem distantes dos € 105-117 milhões que a Signora pagou ao Real Madrid para adquirir Cristiano Ronaldo.

Mas e se a Juventus vender todas as 3 milhões de camisas que a adidas vai produzir a mais com a chegada de CR7?

Nem assim.

Nesse caso (sempre considerando o valor mínimo de € 104,00 por unidade e € 23,5 milhões como meta de valor bruto em vendas), o faturamento total seria de € 312 milhões, o excedente de € 288,5 milhões e o percentual da Juve poderia variar entre € 28,85 milhões (10%) e € 43,275 milhões (15%). Na melhor das hipóteses, o clube não amortizaria sequer metade do valor da transferência de Cristiano Ronaldo junto ao Real Madrid.

Então adidas e CR7 não são bons negócios para a Juventus? Claro que são. Note que que, ao licenciar sua marca para produtos específicos, o clube fica livre para estabelecer novos acordos — um deles, inclusive, é a gestão de coleções retrô — com outras marcas, e até mesmo junto à própria adidas, em contratos à parte. E Cristiano Ronaldo é o vetor de exposição para que a Signora capte novos patrocínios e reajuste antigos, rever os preços de seus season tickets para o Allianz Stadium, exigir mais dinheiro de TV, ganhar títulos (que, claro, potencializam todas as receitas) e, inclusive, vender mais camisas, aumentando seus ganhos junto à adidas (e gerando números para renegociações de valores e ganhos).

Não tem bola quadrada: se bem trabalhada, a chegada de CR7 na Juventus tem tudo para desbancar o case PSG-Neymar como o “negócio do século”. (Mas nem por isso o passe do gajo para Turim será pago apenas com a venda de camisas.)

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite italiana.

Imagens: Divulgação.

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Category: CamisasFutebol Marketing

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