Leipzig x Salzburg na #UEL: como a Red Bull driblou a UEFA

Ontem (20), em Leipzig, a UEFA Europa League assistiu à primeira edição do que nós chamamos de “Dérbi Energético” : RB Leipzig 2×3 FC Red Bull Salzburg.

Uma partida que, pelo rígido regulamento da UEFA, não poderia ser realizada. Afinal, a inscrição de clubes distintos sob uma mesma propriedade — no caso, obviamente, a austríaca Red Bull — num mesmo torneio poderia gerar conflitos de interesse e, em eventuais confrontos, até dar margem à manipulação de resultados.

Como, então, a Red Bull conquistou a permissão da UEFA para contar com RB Leipzig e FC Red Bull Salzburg na mesma competição — e, ainda por cima, enfrentando-se? A explicação passa por uma série de providências adotadas pela Red Bull nos últimos anos, das quais destacamos três:

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1. REBRAND CONTINENTAL

Em competições europeias, as menções à Red Bull saem ou são amenizadas nos brasões dos clubes. Na nomenclatura, o FC Red Bull Salzburg torna-se, simplesmente, FC Salzburg, ao passo que o “RB” do RB Leipzig, você já sabe, foi habilmente ressignificado para RasenBallsport (algo como “esporte com bola na grama”, em tradução livre). E, só para o time austríaco, o touro vermelho ganha outra aplicação — com novo traço e sem o característico fundo amarelo.

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2. ELENCOS

A Red Bull cessou o êxodo de transferências do FC Red Bull Salzburg para o RB Leipzig: 12 jogadores, entre 2015 e 2017. Essa “parceria”, determinada por questões de mercado — porque, claro, o futebol alemão é muito mais atraente do que o austríaco —, permitiu que a equipe alemã desse o salto definitivo da 2. Bundesliga para a 1. Bundesliga, em 2015-16, e, já na temporada seguinte, emplacasse o vice-campeonato na elite, com consequente vaga na UEFA Champions League 2017-18.

O fim dessa inter-relação nas transferências de jogadores FC Red Bull Salzburg e RB Leipzig diminuiu a percepção de que os dois clubes integram um “sistema Red Bull” — ainda que, na atual temporada, seis atletas do time alemão já tenham vestido a camisa dos austríacos.

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3. PROPRIEDADE x “PATROCÍNIO”

Que não se tenha dúvida: RB Leipzig e FC Red Bull Salzburg são de propriedade da Red Bull. Há, porém, formas e formas de se controlar um clube. E, aqui, a solução passou por Salisburgo.

A Red Bull remanejou dirigentes ligados à empresa e ao FC Red Bull Salzburg. Com isso, teoricamente (repita-se: teoricamente), sua influência sobre o clube diminuiu e, aos olhos da UEFA, a relação se “transformou” de propriedade para uma espécie de patrocínio. Dessa forma, a companhia passa a ser entendida pela entidade como “apenas” sponsor dos austríacos ao mesmo tempo em que se mantém como dona do RB Leipzig.

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E foi assim, com inteligência (e um quê de esperteza), e sem ilicitudes, que a Red Bull deu asas ao seu terceiro grande drible no futebol europeu: subverteu, sem consulta popular, a identidade do ex-SV Salzburg (o atual FC Red Bull Salzburg); cumpre sem cumprir o 50+1 da 1. Bundesliga, com o RB Leipzig; e inscreveu dois clubes de sua propriedade numa mesma competição da UEFA.

Notável. (Se para o bem ou para o mal, fica a seu critério.)

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite italiana.

Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol Marketing

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