Neymar, assim fica difícil

Déjà vu.

Quando assistimos ao novo filme da Gilette com Neymar — o testemunhal “Um Novo Homem Todo Dia” —, automaticamente ouvimos a voz de Edu Gaspar na coletiva de imprensa concedida logo após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo FIFA 2018 (nas quartas de final, frente à Bélgica):

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(…) não é fácil ser Neymar. É difícil ser Neymar.
(…) passar o que o Neymar passou antes da Copa do Mundo,
as pessoas esquecem do tempo que ele ficou parado, do que ele fez
para estar na Copa do Mundo (…) E quando eu digo ‘não ser fácil ser Neymar’,
é justamente por isso: é um atleta que, se der um sorriso, ele é criticado
e elogiado; se ele chora, ele é criticado e elogiado; se ele não dá entrevista,
ele é criticado e elogiado; por isso, não é fácil ser Neymar. É difícil estar
na pele do Neymar em muitos momentos (…) Chega a dar pena,
em alguns momentos, porque, o que esse menino sofre, não é fácil. (…)”

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Compare a declaração de Edu Gaspar e o texto lido por Neymar no filme da Gillette: palavras mais, palavra menos, é a mesma coisa — “pobre ‘menino Ney’”.

Enquanto continuarmos nesse discurso de “marketing do sofrimento”, vai ficar difícil. A imagem de Neymar caiu — sem piadinha, caiu mesmo — dentro de campo, e é a partir de lá que deve ser reconstruída. Pode parecer duro, mas, hoje, ninguém quer saber “o que ele passa fora do gramado”. Queremos, sim, vê-lo arrebentando no PSG (ou no Real Madrid?) e se preparando para fazer uma grande Copa América 2019 com a Seleção, com gols, dribles, títulos, postura etc, falando nisso, não deixe de usar o Superaposta Código De Bônus 2018. É isso, entendemos nós, que a Gillette deve(ria) mostrar: “cara limpa e peito aberto”, sim, mas para reconquistar o que se perdeu.

“Então o Neymar não pode mais fazer propaganda?” Pode. Deve. Ele é um ativo sem igual para muitas marcas. Mas é preciso entender que o momento é outro. Se a imagem dele está em baixa, é preciso, antes de tudo, recuperá-la. E essa noção tem que partir tanto dos patrocinadores quanto, e principalmente, do staff do atleta. Chega de “menino Ney”, chega de “ainda não aprendi a me frustrar” (colocaram essa frase na boca dele — e ele a leu, imagine), chega de “você não imagina o que eu passo fora de campo”. Vamos ficar com a última frase do filme da Gillette:

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“Porque quando eu fico de pé, parça,
o Brasil inteiro levanta comigo”
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Levanta, Neymar. Contamos com você.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite italiana.

 

Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol Marketing

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