Neymar Jr., KFC da África do Sul e o poder da imagem

Tão conhecido quanto o (excelente) futebol de Neymar Jr., são as suas (também excelentes) “valorizadas” em todo tipo de falta que sofre ou tenta cavar; nesta Copa do Mundo FIFA 2018, em particular, o carro-chefe das atuações do nosso craque é rolar — quase rodopiar — pelo gramado.

Os adversários detestam. Alguns torcedores carinhos também. Mas há quem esteja se beneficiando, e muito, dessa atitude de Neymar Jr.: as filiais da rede de fast food KFC da África do Sul.

No dia do pontapé inicial da Copa, 14 de junho (ou seja, dois dias antes da estreia do Brasil no Mundial, contra a Suíça), a KFC da África do Sul colocou no ar, nacionalmente — apenas para o próprio país —, a campanha Why make a meal of it for a free kick when you can make a meal of it with a Streetwise 2 for R29.90! (que, numa tradução livre, significa algo como “Por que se complicar com uma falta se você pode aproveitar um Streetwise 2 por 29,90!”). Nela, um atleta sofre uma falta e, no melhor estilo Neymar Jr., vai rolando desde o gramado até uma loja da rede.

Para quem vê a campanha após assistir às “performances” de Neymar Jr. nesta Copa — em particular, contra a Sérvia —, fica quase impossível pensar que a KFC da África do Sul não teve a intenção de satirizar essa atitude do craque.

Que essa campanha da KFC da África do Sul tenha sido realmente baseada no histórico de “valorizadas” de Neymar Jr. — no PSG, no Barça, no Santos e mesmo na Seleção? É possível. A notícia aqui, porém, é sobre imagem. Um ídolo global, como o nosso craque, dispara percepções em todo momento, sendo capaz, inclusive, de ressignificar (trazer para si, para a sua imagem) e dar projeção internacional a uma campanha que, originalmente, deveria ter visibilidade restrita ao país em que foi criada e veiculada.

Cabe a Neymar Jr. — e a todo o seu staff —, então, refletir se essa ressignificação, ancorada em sua imagem (que é reflexo do conjunto das suas atitudes, incluindo as “valorizadas” após faltas sofridas ou cavadas), é boa ou ruim. Engraçada, pelo menos, é.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite italiana.

Imagens: Divulgação.

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