O Canarinho é PISTOLA, sim, CBF

A informação é do UOL: a CBF orientou a Globo (que aceitou) a não se referir ao popularíssimo mascote da Seleção como Canarinho Pistola em sua programação durante a Copa do Mundo FIFA 2018. Por quê? Por causa do apelido “Pistola”, criado pelo povão. Se, no entendimento do torcedor, esse é apenas uma maneira bem-humorada de brincar com o semblante mal-encarado da ave verde-ouro, para a entidade é o contrário: um termo “fora de tom” e “politicamente incorreto”, porque “se refere a uma arma de fogo”.

Sem meio-termo: Canarinho Pistola sem Pistola representa uma censura. Censura ao torcedor e ao seu desejo, legítimo, de se envolver com a Seleção. Desejo, este, que lhe vem sendo continuamente negado pela própria CBF: com os ingressos altíssimos praticados durante as eliminatórias para a Copa; através o custo estratosférico (evidentemente, avalizado pela entidade) do merchandising oficial; pelo fato de o nosso “escrete” não ter realizado um jogo de despedida rumo à Rússia em solo tupiniquim — e a relação pode seguir indefinidamente.

Quando, porém, o torcedor fura essa barreira — mais uma vez, legitimamente —, apropriando-se de um símbolo da Seleção (que só é grande como é por causa da sua paixão, que resiste até a 7×1), ressignificando-o para melhor e o repopularizando (porque, vamos e venhamos, há quanto tempo não nos referíamos ao Brasil como “canarinho” com tanta naturalidade?), a CBF liga o alarme: essa participação é “fora de tom” e “politicamente incorreta”.

A CBF, todavia, surfa na onda do sucesso que o torcedor criou para a mascote. Basta olhar nas redes sociais: o Canarinho Pistola (fazemos questão) é um dos principais vetores de conteúdo e exposição da entidade na Copa. E já houve, até, um licenciamento — um Canarinho Pistola (destaque popular) de pelúcia.

Ora, se esse “Pistola” é “fora de tom” e “politicamente incorreto”, toda a popularidade que vem desse apelido — e de todos os significados que carrega — não deveria, por coerência, ser rechaçada? (Natualmente que, conhecendo o modus operandi antipopular da CBF, essa é uma pergunta meramente retórica.)

À CBF, queremos dizer somente o seguinte: não adianta. O que o povo consagrou já está consagrado e, mesmo que não seja dito na Globo, o Canarinho vai continuar sendo Pistola. “Fora de tom” são os assuntos paralelos (vamos chamá-los assim) em que seu nome e o de seus cartolas mais notórios estão envolvidos. Pare de querer “educar” o torcedor a torcer pela sua cartilha — que é tão “politicamente incorreta” quanto as suas negociatas.

É Canarinho Pistola, sim.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite da Itália.

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Imagens: Lucas Figueiredo/CBF.

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Category: Futebol Marketing

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2 comments

  1. CBF acertou. Chega de banalizar a violência e trazer aos mascotes a face negativa da nossa sociedade. Que seja canarinho marrento ou coisa parecida, mas alusão a violência para um mascote, não. Convido o redator a entrar comigo na Maré ( se tiver coragem) e entender o quão a banalização da violência prejudica milhões de crianças. Entender tb como todos os dias famílias são dizimadas por pistolas. Esporte não é para levar mensagem da violência. Futebol não é lugar de pistola.

  2. Não tenho coragem e, nesse caso, não preciso ter. “Pistola” é uma gíria antiga e a mascote, em nenhum momento usa de armas ou agressividade — só tem o semblante mal-humorado, daí o apelido. Agradeço o seu ponto de vista e mantenho o meu. Abraço.

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