O título europeu que o Real Madrid não venceu

São 20 títulos europeus oficiais: 13 UEFA Champions Cup/Champions League, duas UEFA Cup/Europa League e cinco UEFA Supercups. E, mesmo assim, há uma taça continental que vai faltar para sempre na galeria do Real Madrid: a extinta UEFA Cup Winners Cup — vulga “Recopa Europeia”.

A Cup Winners Cup nasceu em 1960-61, cinco temporadas após a então Champions Cup (atual UCL) e 11 anos antes da UEFA Cup (hoje, UEL) — que seria a “herdeira” da extraoficial Fairs Cup.

O sistema da Cup Winners Cup era bárbaro: um grande mata-mata entre os campeões das copas nacionais de cada temporada anterior. E, antecipando tendências, todas as finais seriam disputadas em jogo único, com sede pré-definida, já a partir da segunda edição (na primeira, a Fiorentina venceu o Rangers com partidas em Glasgow e Florença).

Para os torcedores de clubes ditos “intermediários”, ou de centros “menores”, a Cup Winners Cup era a chance de uma glória europeia, já que a European Cup estava nas mãos dos grandões; em especial, do Real Madrid, que chegou a oito finais e conquistou seis títulos nas primeiras dez temporadas. Pudera: o clube estava sempre na disputa, fosse defendendo o título de uma temporada anterior, fosse classificado como campeão espanhol — já que, na época, apenas quem erguesse o caneco da sua liga nacional participava.

Na temporada 1969-70, porém, o Real Madrid “trocou” a taça da Liga Espanhola pela da Copa del Rey. Hora de conquistar a Cup Winners Cup, certo?

A campanha do Real Madrid até a final foi segura: 5×0 (placar agregado dos jogos de ida e volta) contra o Hiberians, de Malta; 2×1 ante o antigo Wacker Innsbruck, da Áustria; outro 2×1 frente ao Cardiff City, de Gales; e novo 2×1 diante do PSV Eindhoven. Esperava-se uma final contra o Manchester City, que defendia o título, mas foi surpreendido nas semifinais por “um certo” Chelsea — que fazia sua estreia no Velho Mundo.

Surpresa que persistiu na final. No dia 19 de maio de 1971, 45 mil pessoas foram ao Karaiskakis Stadium para ver o Chelsea abrir o placar com Osgood e se sentir campeão até os 45 minutos do segundo tempo, quando o Real empatou com Zoco. O resultado forçou um jogo desempate, que aconteceu dois dias depois. E aí, não teve erro: venceu o Chelsea. 2×1 que deixaram os merengues, e todo o Velho Mundo, atônitos.

Após o vice, o Real Madrid emplacou uma nova sequência de títulos espanhóis que lhe valeram vaga à Champions Cup. O retorno merengue à Cup Winners Cup aconteceu para valer, mesmo, na temporada 1982-83. Àquela altura, o clube atravessava a metade do que seria um jejum de cinco anos sem a taça maior da Espanha, e já estava há 16 sem um troféu internacional — com o agravante de ter perdido a final da Champions de 1980-81 para o Liverpool. Vencer a “Copa das Copas”, então, viria bem a calhar.

Mas faltou combinar com (o futuramente Sir) Alex Ferguson.

Em 11 de maio de 1983, o Real Madrid encontrou o escocês Aberdeen, treinado por Fergie, na final — disputada no estádio Nya Ullevi de Gotemburgo, na Suécia. Os merengues, comandados no banco por Di Stefano e em campo pela raça do capitão Juanito e os gols de Santillana, haviam passado por Baia Mare, da Romênia (5×2 no agregado); Újpesti Dózsa, da Hungria (4×1); Internazionale (3×2) e Austria Wien (5×3). Já os dons chegaram à sua primeira decisão continental com a fama de ter “matado” o gigante Bayern nas fases anteriores. E mataram outro.

Num jogo mais franco do que o se poderia esperar de um duelo entre “Davi x Golias”, o Aberdeen abriu o placar logo aos sete minutos, com Black, cedeu o empate aos 14, num pênalti convertido por Juanito, e, entre tentativas e sofrimentos, soube levar a partida até os sete minutos do segundo tempo da prorrogação (versão ancestral do “Fergie time”?), quando Hewitt fez o gol da vitória.

Mais uma vez, a Cup Winners Cup batia na trave para o Real Madrid. Dessa vez, para nunca mais.

Após esse segundo vice, o Real Madrid ficaria até 1985-86 sem ganhar o campeonato espanhol, e até 1988-89 sem a Copa del Rey. O destino internacional do clube foi a UEFA Cup, então, um torneio menos prestigioso do que a Champions Cup (claro) e a Cup Winners Cup. Foi lá, porém, que os merengues retomaram sua história continental, com um bicampeonato em 1984-85 e 1985-86.

Mas essa já é outra história.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite da Itália.

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Imagens: Divulgação.

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