O torcedor manda: Bundesliga vai abolir jogos de segunda-feira

Introduzidos (oficialmente) pelo pacote de TV do quadriênio 2017-21, os jogos de segunda-feira à noite vão sair do calendário — e das negociações — da Bundesliga (elite e Segundona) a partir da temporada 2021-22.

Motivo: o torcedor não quer. Ou melhor: os torcedores, de modo geral, não querem.

“Simples assim?” Isso. Simples assim.

Seja na elite ou na Segundona, a Bundesliga é, acima de tudo, um campeonato de fator social, no qual os torcedores — com algumas exceções — são maioria em seus clubes (a irretocável regra do 50+1) e, por isso mesmo, exercem o “poder popular” de veto e aprovação sobre os rumos dos campeonatos.

“Mas os jogos de segunda-feira à noite não ajudaram a elevar os direitos de TV dos campeonatos da Bundesliga?” Sim, ajudaram. “Então os clubes vão perder dinheiro sem esse pacote.” Com base no cenário atual, sim; mas o nosso modo de consumir futebol está em transformação.

Quem pode saber como será (ou já estão sendo) as negociações para o próximo pacote de TV a partir de 2021-22? Você mesmo já leu aqui o quanto a Bundesliga, puxando tendências, flerta com distribuição via streaming e OTTs. Não podemos estimar perdas se ainda não sabemos como será o modelo. E mesmo que soubéssemos: jogar contra o torcedor deprecia o produto — e, consequentemente, o poder de negociação da liga.

Em dois anos de jogos da Bundesliga (elite e Segundona) às noites de segunda-feira, as câmeras de TV foram obrigadas a mostrar protestos como: faixas, coros e coreografias com o mote de protesto Gegen montagsspiele (“Contra os jogos às segundas-feiras”); 15 mil buracos cinzas na Muralha Amarela do Borussia Dortmund; e uma chuva de bolinhas de tênis — que atrasou a transmissão — em Frankfurt. Qual imagem passa ao mundo um campeonato que não atende às torcidas que o viabilizam — e que, como já dissemos, controlam a maioria dos clubes participantes?

É como disse Hans-Joachim Watzke, CEO do Borussia Dortmund, em ocasião do protesto que citamos mais acima: “Do ponto de vista comercial, nós não deveríamos fazer qualquer coisa só por ser possível. Sem os jogos de segunda-feira à noite, provavelmente deixaremos de ganhar € 1 milhão ou € 2 milhões a partir de 2021-22. Mas estabelecer um grande senso de união como os nossos torcedores é mais importante.”

Essa é a lógica. Quem viabiliza também comanda o espetáculo. Futebol popular na essência.

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Thiago Zanetin tem 33 anos e é redator publicitário. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite italiana.

Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol MarketingMercado

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