Premier League: a TV dispensa o matchday?

Mesmo que jogassem uma temporada toda com público zero — ou seja, sem qualquer receita de i>matchday —, 11 dos 20 participantes da Premier League manteriam seus balanços, pré-impostos, no azul. É o que mostra um estudo da BBC, que tem como base os dados de 2016-17 — quando um total de 13.607.420 torcedores de Inglaterra e País de Gales (Swansea City) ocuparam as arquibancadas.

A explicação é simples: 2016-17 foi a temporada de ativação do acordo-recorde de broadcasting para o triênio 2016-19. Naquela oportunidade, a Premier League repartiu exatos £ 2.398.515.733 (pouco mais de R$ 11.872.652.878, sendo £ 1,00 = R$ 4,95 — detalhamos como o sistema de distribuição da liga funciona aqui).

Dessa forma, sempre segundo o estudo da BBC, de cada £ 1,00 gerada pelos clubes, menos de 20p (pence, centavos) vieram das receitas de matchday. O maior exemplo foi o então estreante Bournemouth, que mandou seus jogos em um estádio para 11.450 espectadores, teve ocupação quase plena (média de 11.182 torcedores por partida) e, graças aos £ 118.237.066 (R$ 585.273.476,70) da sua fatia de broadcasting, viu a participação do matchday cair para menos de 4% na composição geral das receitas.

Vamos, então, conferir o ranking do “lucro sem torcida” — e pré-impostos, relembremos — da Premier League 2016-17 de acordo com o estudo da BBC:

01. Leicester City – £ 76,03 milhões;
02. West Bromwich – £ 33,03 milhões;
03. Burnley – £ 21,46 milhões;
04. Hull City – £ 19,68 milhões;
05. Southampton – £ 19,10 milhões;
06. Everton – £ 16,60 milhões;
07. West Ham – £ 14,87 milhões;
08. Tottenham – £ 12,55 milhões;
09. Bournemouth – £ 9,46 milhões;
10. Swansea City – £ 5,89 milhões;
11. Crystal Palace – £ 1,21 milhões.

“Então a presença do torcedor nos estádios tende a ser dispensável?” Claro que não. A arquibancada cheia é fundamental para o sucesso de qualquer campeonato. Afinal, nossa percepção sobre a Premier League seria um pouco pior se víssemos sempre os estádios desertos, certo? É essa percepção, dessa imagem, que a liga utiliza para valorizar seus contratos, inclusive o de TV. Ou seja, só é possível criar um cenário de “lucro sem torcida” porque, efetivamente, conta-se com torcida — nos jogos e no dia a dia de consumo dos clubes. Esse é o negócio.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite italiana.

Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol Marketing

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