#RainbowLaces | Inclusão LGBT+ e “pink money” no futebol inglês

De hoje (30) a 5 de dezembro, a Premier League e a English Football League-EFL (que cuida da Championship, League One e League Two) realizarão, junto à ONG gobal Stonewall Foundation, a enésima edição da campanha #RainbowLaces, em apoio à popuação LGBT+.

O modus operandi da campanha #RainbowLaces segue o mesmo das temporadas anteriores: logos das ligas, braçadeiras de capitães, cadarços de chuteiras, bandeirinhas de escanteio e placas de substituição nas cores do arco-íris LGBT+, destaque em placas de campo, mensagens nos telões dos estádios e conteúdo nas redes sociais.

Não é de hoje que FutMKT defende a inclusão da população LGBT+ no futebol (mas a inclusão real, com visibilidade — tal e qual fez, no Brasil, a saudosa torcida gremista Coligay). Por isso, entendemos que o apoio de Premier League e EFL à campanha #RainbowLaces é um triplo acerto.

O primeiro, mais evidente — e urgente — é social. O segundo, institucional e de relacionamento, pois, além de somar às suas marcas valores como tolerância, respeito à diversidade e promoção da igualdade, Premier League e EFL respondem às torcidas e coletivos LGBT+ que ainda buscam reconhecimento de seus clubes. E o terceiro (do qual já falamos, mas fazemos questão de repetir) é de negócios.

A população LGBT+ desponta como um vetor de renovação financeira no futebol. Atualmente, a associação internacional empresarial Out Leadership estima o potencial de consumo desse público em US$ 5,2 trilhões mundo afora. É o chamado pink money.

Para entendermos a dimensão disso, vamos raciocinar com os números do Brasil. Em 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE estimou a nossa população LGBT+ em 20 milhões de pessoas, sendo que quase 50% estão nas classes A e B. Ou seja, têm renda média mensal superior a R$ 3 mil. Recorrendo novamente à Out Leadership (dado de 2015), o potencial de consumo desse público, aqui — o nosso pink money —, é de R$ 418,9 bilhões; o que representaria cerca de 6,34% do PIB de 2017 (fechado em R$ 6,6 trilhões).

Percebeu? O futebol precisa estabelecer a sua fatia nesse bolo de pink money (e o seu clube também — mas essa é uma discussão a que retornaremos em outro momento). É o que Premier League e EFL vêm fazendo há tempos.

Resistências, preconceitos ou “multifobias” em relação a gênero ou orientações homoafetivas não podem — não devem — se sobrepor a dois raciocínios básicos: o futebol é popular, para todos; e quanto mais gente, mais recursos. A inclusão da população LGBT+ é um grande negócio. Fazem bem Premier League e EFL em se posicionarem. Fazem mal os nossos clubes em não aproveitar.

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Thiago Zanetin tem 33 anos e é redator publicitário. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite italiana.

Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol MarketingMercado

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