#SaveTheCrew | Como a torcida manteve o Columbus Crew em Columbus

Outubro de 2017: “Salvem o (Columbus) Crew”. Outubro de 2018: “O Crew está salvo”.

Assim resumimos os últimos 12 meses do Columbus Crew, que foi da ameaça — concreta — de ser transferido pelo seu proprietário, Antony Precourt, para Austin, no Texas, à possibilidade — ao que tudo indica, mais concreta ainda — de ser adquirido pelo grupo que controla o Cleveland Browns (franquia da National Football League-NFL) e, assim, permanecer em sua cidade.

“E o que mudou nesse período?” Não foi “o quê”, mas “quem”; quem virou o jogo, como só poderia ser, foi a torcida.

No mesmo instante em que se viu ameaçada de ficar sem o seu clube — “apenas” um dos membros-fundadores da Major League Soccer-MLS — a torcida do Columbus Crew se uniu na campanha #SaveTheCrew. Que, de campanha, evoluiu, quase ao mesmo tempo, para uma associação comunitária.

Foi aí que o jogo começou a virar.

Porque o envolvimento de um clube com a sua comunidade local é uma condição inegociável da própria MLS. Assim sendo, a #SaveTheCrew se tornou “propagandista” dos laços que o Columbus Crew construiu junto ao povo de Columbus ao longo de quase 25 anos.

Além disso, a associação foi (segue sendo) concreta. Ainda que o Columbus Crew já possua um estádio especificamente pensado para o soccer — também essa uma condição inegociável da MLS —, Anthony Precourt, seu proprietário, vislumbrava a construção de uma casa nova, e teria encontrado mais possibilidades de fazer isso em Austin do que em Columbus. E o que fez a #SaveTheCrew? Negociou com a prefeitura, realizou uma pré-consulta popular e criou um projeto, muito elogiado.

Com o envolvimento comunitário e um projeto de estádio nas mãos da #SaveTheCrew — e ao mesmo tempo em que a causa ganhava adeptos entre as demais torcidas dos EUA e do mundo —, a MLS não teve apenas uma opção: se meteu no caso do Columbus Crew e trabalhou para que o clube pudesse permanecer em Columbus. Foi aí que se chegou à negociação com os Browns, em outubro deste ano.

“O negócio já esta fechado?” Ainda não. “Então o Crew ainda não está salvo?” Podemos dizer que está salvo, sim. Primeiro porque a MLS está envolvida — ou seja, se a negociação com os Browns falhar, algo deve ser feito. E, segundo (e principal): a torcida descobriu que pode vencer o footbusiness; se nada der certo, a #SaveTheCrew continuará ativa e, pelo que vimos, pode até refundar o clube — talvez não na MLS, que cobra uma taxa US$ 150 milhões para constituir suas franquias, mas em alguma categoria em que o senso comunitário entre Columbus Crew e Columbus permaneça; e, se tudo der certo, e o clube conquistar novos proprietários, a associação também estará lá, praticando os valores.

Podemos dizer que, com a #SaveTheCrew, o Columbus Crew ganhou uma Supporters’ Trust, como as do futebol inglês. Ou, quem sabe, uma Community Trust, como aquela do Seattle Sounders, que detém 20% do time-B na United Soccer League-USL.

Avança o futebol popular. O melhor negócio é o torcedor.

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Thiago Zanetin tem 33 anos e é redator publicitário. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite italiana.

Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol Marketing

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